sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sem Enfeite Nenhum

Meu primeiro post do ano e olha que já estamos perto do meio dele. "Sumi"! Faltou tempo, oportunidade, assunto, disposição, vontade... é mais ou menos por aí... mas às vezes eu dava uma olhadinha aqui, alí e acolá, só pra não ficar muito POR FORA, se é que isto é possível, afinal de contas, ha vários jeitos e motivos para se ficar por fora, né? E, pensando bem, acho que fiquei por fora, só esqueceram de me avisar onde e quando isto aconteceu... hahahaaa... desatualizadíssima de alguns assuntos e por dentro do que muito me interessa, of course!
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De novo mesmo, (pra mim) só o ano, meus projetos pessoais, as expectativas e planos que se renovaram... Coisas acontecendo pelo mundo e em minha volta, mas enfim, o que me motivou a postar, foi este texto que encontrei na net, da Adélia Prado. Gostei tanto que quis compartilhar a quem possa interessar... a propósito, adorei o título!
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Sem Enfeite Nenhum
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A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
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Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.
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Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
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Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia... A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
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Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar.
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Mas a Ricardina era de impressionar mesmo, imagina que falou pra mãe, uma vez, que não podia ver nem cueca de homem que ela ficava doida. Foi mais por isso que ela ficou daquele jeito, rezando pra salvação da alma da Ricardina.
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Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
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Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
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Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
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Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
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Bom também era ver ela passando creme Marsílea no rosto e Antissardina n° 3, se sacudindo de rir depois, com a cara toda empolada. Sua mãe é bonita, me falaram na escola. E era mesmo, o olho meio verde.Tinha um vestido de seda branco e preto e um mantô cinzentado que ela gostava demais.
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Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
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Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
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Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
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Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe.
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O Senhor te abençoe e te guarde,
Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti,
O Senhor te dê a Paz.
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Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.
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Era raiva não. Era marca de dor.
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Texto publicado em "Prosa Reunida", Editora Siciliano - São Paulo, 1999, foi incluído por Ítalo Moriconi no livro "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 349.
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See you...
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bejim, bjim e tiau-tiau!


Poisé, o ano velhinho está se despedindo... logo mais, daqui há algumas horas chegará um novíssimo para substituílo... ou melhor, pra dar continuidade, já que passado não se substitui e (este ano está prestes a entrar pra galeria do passado de todos nós). Podemos até somá-lo ou tentar subtraí-lo (penso que em vão), mas substituir são outros quinhentos...
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Em minha cabeça já fervilham algumas promessas de mudanças, de melhorias, planos mirabolantes, vontades, desejos... as promessas vêm, não posso fazer nada quanto à isso, acho que se tornou um costume. Daqui a pouco vou correr pra um caderninho qualquer e escrever uma lista a lá Bridget Jones... hehehe...



Hoje estou de pernas pro ar aqui... vou sair e comprar uma balança. Éeee... to precisando perder alguns quilinhos e por em prática o primeiro ítem da minha lista de coisas a fazer em 2009: emagrecer!
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A segunda é juntar uma graninha... a terceira é estudar muitooo mais pra dar um up no inglês que ainda ta mea-boca... quanto mais eu aprendo, mais vejo que tenho muito ainda pra aprender... que coisa, gente!
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Este ano foi um ano decisivo em minha vida, eu diria que foi um verdadeiro divisor, coisa do tipo "antes de 2008 e depois de 2008". Sinto como se eu tivesse levado um óootemo e forte pontapé no trazeiro, que me jogou longe, muito longe, e me fez acordar pra muitas coisas. Minha vida deu uma modificada enorrrme, tipo coisa de biografia, de filme...hahahhaaa... ai, ai... e o bom é que foi pra melhor, graças à Deus!




O Matutando neste ano me trouxe amigos de sempre, amigos de agora, amigos que estão chegando, pegando um banquinho e sentando (como eu costumava dizer...). Fico feliz como este carinho e sinto não poder, no momento, retribuir como se deve, como eu gostaria, pois me falta tempo e um pouco de entusiasmo... estou um pouco cansada, pessoal, essa é que é a verdade. Mas é cansaço físico, não é cansaço da net não, ok!
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E pra essa matutada gente boa, desejo que o ano de 2009 seja porreta (como disse a lugi por aí...), seja muito melhor do que 2008, que seja próspero, produtivo e pra cima! E muita saúde pra todos nós para que possamos desfrutar muito bem desse novo ano!
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Enquanto isso, o prosecco (ganhei...hehe) tá gelando... a champagne também! Éééé... tudodibom!



Ah! Uma receitazinha básica para um ano novo feliz:

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Pegue 12 meses inteiros. Limpe-os bem, tirando toda a amargura, ódio e inveja. Deixe-os tão limpos quanto possível. Depois corte cada mês em 28, 30 ou 31 partes diferentes, mas não pegue todas de uma vez só. Prepare-as pouco a pouco, atento aos ingredientes. Misture bem em cada dia uma porção de fé, uma porção de paciência, uma porção de coragem e uma porção de trabalho. Adicione uma parte de esperança, lealdade, generosidade, meditação e boa vontade. Tempere tudo com pitadas de espiritualidade, diversão, um pouco de brincadeiras e um copo cheio de bom humor. Despeje tudo isso numa tigela de amor. Cozinhe bem, com muita alegria, e enfeite com um sorriso. Depois sirva tranqüila(o), desapegada(o) e carinhosamente. Assim você está destinado a ter muitas Felicidades.

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Desconheço a autoria, peguei na net.











.Happy new year, matutada!

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Bjos...

and...

See you...

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sentimentos Natalinos...


Uma em Duas
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Porque entre o sim e o não é só um sopro, entre o bom e o mau apenas um pensamento, entre a vida e a morte só um leve sacudir de panos - e a poeira do tempo, com todo o tempo que eu perdi, tudo recobre, tudo apaga, tudo torna tão simples e tão indiferente.
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(Lya Luft em “O silêncio dos amantes”)

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De uns tempos pra cá, venho me repetindo muito, quando falo de tempo. Ta bem, ta bem, prometo que este será o último post sobre isso. Do tempo que voa, do tempo que não estou conseguindo acompanhar, do tempo que me deixa louca de paixão, do tempo que me leva as altura, do tempo que trata de esfriar tudo, do tempo do esquecimento, do tempo do recomeço... to tempo de uma nova paixão...
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Do tempo que deleta mágoas, do tempo que traz maturidade, uma certa dose de paciência, do tempo que faz milagres... do dê tempo ao tempo...
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Do tempo também dos anos a mais, que me faz recordar detalhes de minha infância e que assim, tão nítida na minha memória, não me deixa crer que passou-se tanto tempo!
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Preciso de tempo pra fazer tudo que quero, coisas que mirabolo na minha cachola... hehe... lugares que quero ir, amigos que quero conhecer, comidas e outras delícias para experimentar... pessoas que quero abraçar, promessas a cumprir... quilinhos a mais para perder... os filhos que quero ter... mas, como sou agoniada por natureza, já fico meio que sofrendo antecipadamente a cada vez que tenho a dura certeza de que o tempo voa!
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vim pra cá, no início de fevereiro e vejam só, o ano já esta agonizando, prestes a dar seu último suspiro... será que sou só eu que não estou conseguindo acompanhá-lo?
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Gente, semana que vem, já é natal!
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Um natal um tanto quanto atípico pra mim, longe de mamãe e de grande parte da minha família. Família que amo tanto e que tanta falta tem me feito nesses dias que antecedem as festividades natalinas... sei que não será igual, vai ser uma pequena ceia, pra quatro ou cinco pessoas... pessoas importantes e que eu amo também, ainda bem!
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Sinto falta de não ter montado uma árvore este ano, de ainda não ter comprado um presente sequer... sinto falta daquela expectativa boa para a grande noite de natal... das listas de compras para os comes e bebes... da dúvida se meu irmão virá ou não para a ceia (ele sempre se decide no último momento (casa da mamis ou da sogra...rs)... e sinto falta dele zoando as minhas rabanadas...rs... sinto falta do nosso amigo oculto, que não é feito de presentes caros e sim de presentes digamos, "criativos", engraçados, só para zoar mesmo. Se bem que ano passado, variamos, fizemos a coisa certinha, presentes normais, porém baratos...rs
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Mas é isso aí, é o momento que estou passando, que estou vivendo, são consequências das minhas escolhas. Escolhas que até o momento foram as mais acertadas que já fiz, pois apesar da saudade e de vir aqui hoje chorar as pitangas, toda essa mudança em minha vida tem me feito muito bem, obrigada! E é nisso que penso quando me vem estes momentos saudosos...
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E que venha o natal, e que seja alegre, memorável e bem aproveitado, como nos anos anteriores!
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See you...
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ps. deixei um recadinho no halos do post abaixo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A Sombra do Vento...

Então, estou com o pc pifado, tempo curto que só vendo, muitas coisas pra fazer... o blog sem atualizar... mas, infelizmente não está dando mesmo! Tentei o máximo que pude, mas chegou em um ponto que meus esforços já não eram suficientes e assim, as atualizações minguaram, as bobagens que escrevo estão só na minha cabeça... não to conseguindo por aqui...
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A partir de agora, vou levando o Matutando como der, como puder...
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Eu tenho a impressão de que na vida há uma época pra tudo... pra brincar, pra estudar, pra crescer, pra perder a inocência, pra amadurecer, pra comer tranqueiras sem culpa, pra amanhecer o dia em farras, pra trabalhar de ressaca... e, pra escrever em um blog. Neste momento, eu não posso mais (pelo ao menos tão frequente e presente, como eu gostaria e como já fui...) ter um tempo determinado para o blog... não ta dando... então, sempre que der, e eu quiser, volto aqui, escrevo e vou visitando os amigos queridos que fiz pelas vizinhanças... e digo que esta é a melhor parte, pois são assuntos diversos, jeitos diferentes e únicos de escrever, compartilho opinões, divergências, aprendo coisas, vejo telas, cantores, livros, peças, assuntos de que não conhecia...
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Neste tempo que fiquei (e ainda estou) com o pc pifado, comecei a ler um livro que mamãe me presenteou e... confeço era um esforço enorme pra mim, cada vez que eu tinha que fechar suas páginas, pra cumprir com meus compromissos... então, eu ia lendo quando dava... no metrô, nos ônibus, uma meia horinha antes de dormir... e, assim fui devorando suas páginas, ávida por desfazer os mistérios, as confabulações... um livro muito bom! Aguçou minha curiosidade, mecheu com o meu lado místico, despertou em mim o meu lado detetive de meia tigela... hahahaaa...
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Estou falando de "A Sombra do Vento".
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Li aqui, uma crítica que diz perfeitamente o que eu teria a dizer, sobre o livro...
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(...)Mas aí começaram a me falar dA Sombra do Vento. Li a primeira página, enquanto esperava as 22 horas pra tomar cerveja e comecei a me interessar. Adoro essas Literaturas que falam sobre Literaturas. Livros falando sobre livros, brincadeiras entre linguagens e isso tudo. Putz, fiquei curioso, peguei o livro emprestado e levei pra casa. Quatro dias depois…
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A Sombra do Vento é um livro sobre um livro chamado A Sombra do Vento. Confuso? Na Barcelona pós-Guerra Civil, Daniel acorda ás vésperas de seu aniversário de 11 anos gritando ao perceber que não consegue mais lembrar o rosto de sua mãe morta. Ao acudí-lo, o pai o leva naquela fria manhã, no meio daquela neblina de carvão característica de Barcelona em 1945, ao Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar é uma gigantesca biblioteca, escondida em um casarão, que abriga todos os volumes esquecidos pelo resto do tempo. Livros Mortos.
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Ao passear pelos labirintos de prateleiras gigantescas, o garoto instintivamente pousa aos mãos sobre A Sombra do Vento, um esquecido volume do desconhecido autor Julián Carax. A partir daí, começa toda a trama da tentativa de Daniel de desenterrar o passado de Carax e recuperar uma história que começa em 1900…
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O mais interessante em A Sombra do Vento é a narrativa. Intrincada, com novos elementos sendo colocados na história o tempo todo, vai e volta no tempo, recuperando aos poucos o passado, a infância e o sumiço de Julián Carax. Numa mistura de gêneros típica do Bacanal do século XXI, o autor brinca com uma cidade cheia de cicatrizes deixadas pela Guerra Civil e a própria idéia de Livros dentro de Livros. Uma passagem em que Daniel descreve A Sombra do Vento parece servir perfeitamente para a obra física:
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"á medida que avançava, a estrutura do relato fez-me lembrar daquelas bonecas russas que contêm em si mesmas inúmeras miniaturas. Passo a passo, a narrativa se estilhaçava em mil histórias, como se o relato penetrasse numa galeria de espelhos, e sua identidade produzisse dezenas de reflexos díspares e ao mesmo tempo um só."
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Sem sentir, enquanto cresce e investiga por conta própria certos passados proibidos, Daniel envolve-se com um ex-anarquista, um Inspetor psicopata e com a estranha figura de Alain Coubert, o homem sem rosto que fuma cigarros feitos com folhas de livros e dedica sua vida a perseguir todas as obras de Julián Carax e queimá-las.O detalhe? Alain Coubert é o nome de um dos personagens do romance A Sombra do Vento de Carax. O personagem que representa o demônio.
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Então, ta dada a dica...
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See you...
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Um pouquinho...

Republicando diariamente, à pedido de Odele, mãe da Flávia (foto baixo).
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Eis a minha pequena contribuicao com tao grande causa... o assunto esta muito bem explanado aqui e aqui!

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Eu sou feito de
sonhos interrompidos
detalhes despercebidos...
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Sinto falta de
lugares que nao conheci
experiencias que nao vivi
momentos que ja esqueci...
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(Trecho do poema "Pedacos de Mim" - Martha Medeiros)

See you!

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Publicado originalmente no dia 15/09/2008

Visite o Blog da Flávia, clique aqui!

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Será?


Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.



See you...


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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Rapidinhas...

Aqui circula uma revista brasileira (gratuita) de edição mensal, a Leros. Acho que já falei sobre ela aqui, não tenho certeza. . Através da Leros (também) fico por dentro de muitas coisas que andam acontecendo no Brasil e/ou com brasileiros. Ela nos conta também um roteiro de shows, artistas brasileiros que se apresentarão por aqui. Daí da tempo de programar a ida ao evento e tals. Ela tem uma sessão de notinhas que acho bem legal. Hoje li as novidades... posto aqui, algumas poucas e pequenininhas...
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O site americano
http://www.theonion.com/ , traz na capa do seu calendário "Our Dumb world" (Nosso estúpido planeta) de 2009, a imagem do Cristo Redentor, com metralhadoras nas mãos.
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O calendário traz imagens de ícones de diversos países numa tentativa de fazer humor com o caos mundial. O calendário é vendido por $12.99.
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A revista "Rolling Stone" fez um ranking dos 100 maiores artistas da música brasileira na edição comemorativa de seu segundo aniversário. Tom Jobim lidera a lista, seguido por João Gilberto, Chico Buarque, Caetano Veloso e Jorge Ben Jor.
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Talvez por conhecer pouco do trabalho do Jorge Ben Jor, não acho que ele merecia colocação tão alta. Sei não, a música brasileira tem outros excelentes artistas, mas já repararam que quando gringo vai premiar, sobra sempre para os mesmo cantores? Dá até a impressão de que eles nem pesquisam, vão nos nomes de sempre (que são muito bons, não négo) e pronto. Dever " comodamente cumprido".

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E, pretenção pouca é bobagem...
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"Sou o intelectual mais importante do Brasil". Frase de Paulo Coelho, que aos ser questionado pelo Jornalista Miguel Conde, quando este pediu que ele explicasse a declaração, Paulo Coelho disse: "não preciso explicar. Uma frase é uma frase: sujeito, predicado e verbo. Ponto".
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Ainda por cima, contrariando a outros autores, numa coletiva de imprensa, na feira do livro em Frankfurt, Alemanha, ele defendeu a circulação de livros pela internet e ainda falou de sua iniciativa de oferecer aos internautas, links para versões piratas de sua obra.
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Tudo bem que ele recebeu um livro Guinness dos Recordes Mundiais especial por seu livro " O Alquimista" ser o mais traduzido (67 línguas), mas que ele se acha, se acha! Ou melhor, ele "se" tem certeza!
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Lula recebe prêmio, do rei Juan Carlos, na Espanha e cai em pegadinha. O presidente recebeu o Prêmio Internacional Dom Quixote de La Mancha, por ajudar a divulgar a língua e cultura espanhola no Brasil. É que o governo brasileiro sansionou uma lei, que tornou obrigatório o ensino de espanhol nas escolas de ensino médio, no Brasil. Enfim, no meio disso tudo, um pessoal de um programa humorístico espanhol conseguiu abordar o presidente e fazer com que ele participasse do programa, sem que ele soubesse o que realmente estava acontecendo... confira no vídeo:


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No final da revista, tem uma sessão que eu acho engraçada, se chama "Conversa Fiada", onde eles publicam "causos" de brasileiros que, achando que são os únicos que falam português aqui, soltam o verbo. Mas, pessoas escutam e mandam pra revista:

"Fiquei super animada quando ele me convidou pra jantar. Depois descobri que não era bem um jantar, era uma pizza. Se pelo menos fosse numa cantina italiana... mas ele me levou no pizza hut. Menina, quando vi a placa da pizzaria eu já não gostei... e na hora de pagar a conta ele tirou do bolso dois vouchers que tinha ganhado numa promoção. É muita falta de classe, né?" (Gaúcha se queixando do namorado avarento para uma amiga em um ponto de ônibus da Charing /cross Road).

"Eu menti que tinha experiência como barman porque pensei que só iam me pedir cerveja. Mas o bar é super movimentado e mesmo quando eu errei ninguém reclamou, cheguei a confundir 'Tia Maria' com 'Bloody Mary'. Acho que tudo bem, é tudo álcool, né?" (Goiano contando a um amigo como foi sua primeira noite trabalhando como barman, na estação de metrô de Covent Garden)

"- Esses ingleses acham que têm o rei na barriga.

- O rei não, a rainha!" (dois brasileiros conversando sobre a possibilidade do Reino Unido passar a exigir visto de brasileiros).

Por enquanto, é isso...

See you...

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