sábado, 9 de junho de 2007

Brasil - O País do Futebol - ...Será mesmo?


O Turismo Sexual no Brasil foi um dos assuntos retratados na revista Marie Claire de abril desse ano. O Brasil é um dos países preferidos pelos “gringos” que viajam, não para conhecer nossas praias, nossa rica cultura, nossas cidades históricas, e sim, em busca de sexo fácil. Na entrevista à revista, um Alemão declarou na cara dura que veio ao Brasil por uma única razão: “transar”.

A reportagem constatou que em Fortaleza se encontra um dos principais focos desse tipo de turismo e mostrou que esse "comércio" se dá sem intimidações nem pudores, na frente das pessoas, em praias, boates...Algumas dessas meninas que se “vendem” são menores, e praticar sexo com menor, é crime. No entanto, os estrangeiros não se sentem intimidados, pelo contrário, parecem estar seguros de que não responderão por esse “pequeno detalhe”. Só sei que muita gente lucra em cima disso.

Um turista italiano disse que “Drogas e mulheres têm na Europa, mas, aqui no Brasil, sexo é mais fácil e barato”. Tudo bem que ele foi cara de pau em dizer isso, mas que é verdade é.

Eu estava evitando postar sobre isso, mas uma polêmica recente me fez relembrar tudo o que lí na Marie Claire e achei que os dois assuntos se complementam. É o seguinte. Encontrei um vídeo de uma propaganda sexista, que andou dando muito auê...

E a propaganda, intencionalmente ou não, de certa forma, estimula esse “comércio” abusivo, exatamente como aconteceu no Brasil anos atrás.

Estou falando de uma propaganda da ibéria.com, cujo intuito é aguçar a vontade dos turistas espanhóis de conhecer Cuba. A propaganda mostra um “turista bebê”, que ganha uma viagem a Cuba. Quando chega no país, ele passeia de carro com duas mulatas com roupas minúsculas e sensuais, que rebolam para o “bebê”, dão mamadeira e até fazem massagem...A música diz: “me alimentem, mulatas...venham cá, mamãezinhas, me botem no berço”.

Mas, a propaganda foi tirada do ar, pois o FACUA – Grupo de defesa do consumidor – interveio. E fez muito bem!

Veja a propaganda aqui!

Segundo a Marie Claire, o Rio de Janeiro, Fortaleza, Natal e Recife entraram para a rota do Turismo Sexual, em boa parte, por decorrência da propaganda (de turismo) oficial do governo brasileiro de anos atrás ( e foi excluída a partir de 2000), que por muito tempo associou a imagem do Brasil a mulheres seminuas, receptivas e sensuais. Tentaram reverter a situação à partir de 2000, mas aí, a "imagem" já estava marcada. Para constatar o que digo, basta perguntar a qualquer brasileira(o) que more no exterior, o "sucesso" que as brasucas fazem em terras estrangeiras. A princípio, os "gringos" já "chegam, chegando", depois é que vêem que a história não é bem assim...

Uma das partes da matéria que mais me chocou foi ver uma menina que vende balas, de aparentemente uns oito anos de idade, sentada à mesa, a convite de uns turistas estrangeiros e a impressão é de que pra ela, aquilo é normal, corriqueiro...Na foto ela aparenta estar tranqüila, parece até que a criança se familiariza bem cedo com o estrangeiro e com a permissividade que traz esse tipo de turismo.

Foi também o caso de uma menina de 12 anos, que aos 9, se prostituía para não passar fome, pois os pais eram viciados em crack e ela não tinha com quem contar até ser acolhida por uma "mãe social"...

Há muito tempo que esse assunto (Turismo Sexual) vem sendo abordado pela mídia. Lembro-me bem do Ratinho (Carlos Massa, apresentador do SBT) denunciando, já passou no Globo repórter, no SBT repórter, foi notícia em revistas e nenhuma medida concreta foi tomada. Lá fora, o Brasil não é lembrado apenas como "O País do Futebol", o Brasil ainda passa, aos estrangeiros, essa imagem de permissividade, prazer e muito ôba-ôba.

E de quem é a culpa? Talvez de alguns, talvez de todos nós, eu não sei...
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Mas sei que está mais do que na hora de providências concretas serem tomadas por parte do governo, das autoridades competentes, não em prol de mudar a imagem do Brasil, da brasileira, do Turismo (isso não requer tanta urgência) e sim de mudar a situação das meninas envolvidas nesse “comércio”, pois muitas estão nele, não por opção, mas por falta dela.

“Agora é tarde
acordo tarde
do meu lado alguém que eu nem conhecia
Outra criança adulterada
pelos anos que a pintura escondia...”
(A Cruz e a Espada – Renato Russo)
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