Arde em mim, o desejo de horas partilhadas, sede e fome saciadas.
Arde em mim, o desejo de buscar-te na noite em que te guardas, arredio, da minha palavra.
Porque começo onde termina o teu silêncio.

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"Não quero medir a altura do tombo, nem passar agosto esperando setembro..."
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Mineira
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16:00
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exceto quando faz outra pessoa sangrar (...)
só por hoje não quero mais te ver
só por hoje não vou tomar minha dose de você
cansei de chorar feridas que não se fecham
não se curam
e essa minha abstinência uma hora vai passar..."
(um trechinho da música "Na sua Estante")
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Claudia Damm, passei hoje cedinho no seu blog e não consegui comentar... tentei algumas vezes, mas o comentário não foi publicado... Ah, ficou legal o novo visual do seu blog...
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E o Big Brother Brasil 8 já se faz presente na net bbb e também em propagandas na televisão. Li uma entrevista com o boninho, diretor do programa, e vou trancrever aqui alguns trechos:
* Notícia boa pra uns e nem tanto pra outros. Bial continua frente a apresentação do bbb8... hehe
*G1 - Vocês mudaram o processo de seleção neste ano, deixando que as pessoas façam perfis pela internet e que vejam umas às outras. O site já está no ar há quase um mês. Qual é sua avaliação do projeto? Ele realmente ajuda na seleção de candidatos ou é mais para os próprios participantes? J. B. de Oliveira - Lógico que facilitou e muito nossa vida. A internet agilizou esse processo, mas dependemos do cruzamento de informações com o formulário e vídeo enviados à Globo para fechar a seleção.
*G1 - Além da seleção feita por internet/vídeos enviados, vocês trabalham com "olheiros". Existe uma preocupação em equilibrar os escolhidos por olheiros e os que se inscrevem naturalmente? Boninho - Já divulgamos até no Blog da Produção: os olheiros estão na casinha! Isso significa que provavelmente eles não vão ser acionados. Estamos tão felizes com o novo processo e a receptividade dos internautas, que decidimos, por enquanto, abandonar os olheiros e privilegiar os internautas.
*G1 - Na última edição houve um perfil muito bem definido, de pessoas bonitas, malhadas e com tendência a se envolver dentro da casa - aliás, tendência que você já previa antes da estréia. Qual será o perfil para esta oitava versão do "BBB"? Como continuar encontrando pessoas capazes de atrair a atenção do grande público? Boninho - Ainda é cedo para falar sobre isso. Qualquer dica pode atrapalhar nosso processo de seleção; quando comentamos sobre os participantes do sétimo "BBB", eles já estavam confinados.
*G1 - Esta será a oitava edição do "Big brother". A que se deve a longa vida do programa? Acredita que a audiência posssa se manter ou até subir? Boninho - O sucesso do Big Brother brasileiro tem relação com a equipe que realiza o programa. O programa conseguiu se adaptar ao jeitinho brasileiro de televisão. O público se identifica com a forma que encaramos sua realização, as novelinhas, desenhos animados, o bom humor do Pedro Bial e da nossa visão editorial são fundamentais. É um programa que tem uma audiência cativa e estável.
*G1 - Houve boatos de que você se afastaria da direção do "BBB". Você pretende acompanhar este projeto mais de longe? O que/quanto te exige o programa? Boninho - Ficar ou não no projeto é uma decisão da direção da TV Globo e, como a maioria dos boatos, não se confirmou. Adoro o projeto e me dedico profissionalmente para realizá-lo da melhor maneira possível. A direção da TV Globo confia em mim e eu correspondo com todo empenho para seguir esse histórico de sucesso.
*G1 - Recentemente, você criticou o desempenho da Íris e do Alemão em programas de TV. Qual é a sua opinião sobre os dois? Por que acha que a grande maioria dos "brothers", mesmo aqueles que se destacam no programa, não conseguem emplacar uma carreira artística depois? Boninho - Quando escolhemos os participantes, decidimos pela pessoa que existe ali, naquele momento. A maioria nunca sonhou e não se preparou para o mundo da televisão profissional. Participar do programa não transforma ninguém em artista da noite para o dia e é essa a minha crítica. O Alemão é uma boa pessoa, um bom garoto, que, se tiver o sonho de seguir esse caminho, vai ter que se preparar, pois é muito difícil. Não existe o milagre da transformação.
*G1 - Grazi Massafera, uma exceção, construiu uma carreira bem-sucedida na TV. O que ela tem e os outros não? Você a consideraria a "grande descoberta" do "BBB"? Boninho - Não temos a pretensão de fazer alguma grande descoberta, o programa não é feito para criar estrelas. O BBB é um programa de relacionamento com começo e fim. O que acontece com eles depois depende de cada um. A Grazi teve uma chance e com sorte soube aproveitar. Agora, sua carreira na televisão, só o tempo vai dizer.
*G1 - Jean Willys diz que não quer mais falar sobre "BBB". O que você acha de quem renega o programa depois de ficar conhecido por causa dele? Boninho - Que bom que ele optou por essa decisão, falar pra quê?
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Você já ouviu falar na expressão "evelhecente"? Será que você é um evelhecente?
Será verdade que a maldada só está na nossa cabeça?
Justiça proíbe macaco de ter nome de gente!
Você já viu pão enlatado!? Pois é, os japoneses criaram...
Especial VMB MTV...
Estas são algumas novidades que têm lá no blog da Brisa, o Comentando o Comentado... corram lá pra dar uma olhada... e comentem né...
Inté...
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(...)Chega a vez de mostrar os passos de Suzane no vídeo da reconstituição do crime (...) A ré começa a contar a rotina do dia fatídico. Mantém uma expressão apática. Ela conta que dirigiu enquanto Daniel e Cristian trocaram de roupa dentro do carro. Relata ainda que ficou na biblioteca enquanto os irmãos Cravinhos matavam Manfred e Marísia a porretadas.
Depois da descrição, ela começa, efetivamente, a gravar a reconstituição. Entrou, subiu a escada, acendeu a luz do corredor e olhou pela porta do quarto dos pais. Desceu, fez um sinal de positivo com o polegar e pegou os sacos plásticos na dispensa, deixando-os no hall. Foi para a biblioteca, sentou no sofá, abaixou a cabeça e tapou os ouvidos com as mãos. Em seguida, pegou a pasta com o dinheiro dos pais e colocou sobre um armário.
Os irmãos entraram na biblioteca e jogaram objetos no chão. Cristian pegou as jóias em outro cômodo e colocou na mochila. Depois ele apanhou o dinheiro.
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Mineira
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Mineira
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02:52
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Marcadores: Comportamento, É notícia, Morro e não vejo tudo
Quem é frequente aqui no Matutando, já conhece a Mariza Lourenço, escritora talentosíssima, de quem eu "peguei" alguns textos e postei aqui... pra quem ainda não leu, leia e quem quiser reler, veja aqui. São estes: O Padre, O Trem, Do Amor ... aproveitem, são ótimos! Visitem o seu blog, lá tem muito mais. Ah, e comentem pessoal... o endereço está linkado aí, no nome dela.
Pois bem, agora a Mariza veio ao Matutando nos convidar para conhecermos a revista, Germina, da qual ela é uma das editoras. Está atualizadíssimo! Vamos lá dar uma conferida pessoal...
E, para dar uma mostra do que tem de bom por lá, um texto do Xico Sá.
Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: "Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...".
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!
Sem reticências...
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem aqui nem Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o "the end" sem pelo menos uma discussão calorosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais "cool" dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.
E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.
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E aí, gostaram?
Eu adorei!
Inté...
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Mineira
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13:22
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Marcadores: Crônicas e Textos, Cultura, Dicas da Matuta
Refrão de Bolero - Engenheiros do Hawaii
A turnê dos Engenheiros, ano passado, terminou aqui na minha cidade... tive o prazer de ir e realmente, é tududibão! Inesquecível! Este cenário, que aparece aí no vídeo, é o mesmo que eles usam na turnê, muito lindo, o som limpíssimo, tudo no capricho, e o Humberto é um gato! Nada mal né? Um dos melhores shows que já fui até hoje....
Inté...
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Mineira
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11:14
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Mineira
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09:52
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Marcadores: Comportamento, Crônicas e Textos
No topo da lista está Ngoc Thai, que está sem dormir nada mais, nada menos, do que trinta anos! Segundo ele, não dorme porque desde a noite de 1973, após uma febre, ele contou carneirinhos durante 11.700 noite consecuitvas.
“Eu não sei se a insônia impactou minha saúde. Mas eu sou saudável”.
Na sétima posição está David Icke, um ex-jogador profissional de futebol. Ele afirma que o mundo foi governado por um grupo secreto chamado “O Elite” (uma raça de humanoidesreptilian). Icke afirma que muitos povos são descendentes do Elite, inclusive Bush, a rainha Elizabeth II e Kris Kristofferson.
Em oitavo lugar está David Allen Bauden, uma americano que foi “eleito” como sendo o “Papa Michael Eu”, por seis católicos. Ele afirma que as seis últimas eleições dos Papas foram inválidas porque estes são modernistas.
Minha resposta é: claro que sim Ana, lógico que pode e deve convidar-nos a visitar o blog da querida Brisa, pessoa por quem tenho um carinho todo especial... O blog da Brisa é o Comentando o Comentado... quem já conhece, beleza, quem ainda não conhece, dê uma chegadinha lá... sempre tem notícias atuais e belos textos... simbora pessoal!
Ah! E, comentem o comentado...hehe
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Mineira
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13:35
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Capitu... olhos oblíquos de cigana dissimulada... olhos de ressaca...
Reli Dom Casmurro (de Machado de Assis). Tinha a curiosidade de ver se a perspectiva que eu tinha da estória, mudava, se a visão dos fatos apresentados, me clareariam às idéias em relação à dúvida que o livro deixa:
Capitu traiu ou não traiu o Bentinho?
"Se Capitu nunca traiu Bentinho, então Machado de Assis se chamava José de Alencar!" (Dalton Trevisan)
Estive matutando à respeito e se tem uma coisa que na literatura brasileira sempre dá margem a mil discussões, é essa dúvida sobre a infidelidade da Capitu.
Quando eu estava na oitava série, os alunos do terceiro ano, do ensino médio, encenaram um júri, onde, Capitu era a ré, e deveriam julgar se Capitu traíra ou não, o Bentinho... fiquei fascinada! A menina que interpretava a Capitu, chorava rios de lágrimas, com a ajuda de uma cebola cortada e escondida estrategicamente, na mão direita... ela levava a mão aos olhos e pronto, chorava que era uma beleza!
Mas, enfim, vamos aos fatos:
* Desde a infância, já fica bem claro o quão dissimulada era Capitu. Diante das maiores saias justas, ela mentia tão bem e agia tão naturalmente, que chega a ser desconcertante... ela manipulava o Bentinho, que durante a infância, era muito ingênuo...
* Capitu não engravidou nos primeiros anos de casamento, e Bentinho desejava muito um filho...
* Bentinho, depois de uma crise de ciúmes, fica sabendo, por Capitu, que ela se encontrou em algumas tardes, com o seu amigo, Escobar, para tratar de finanças...
* Bentinho vai ao teatro sozinho, pois Capitu alega mal estar. Mas, muito preocupado e saudoso, volta mais cedo e dá de cara com Escobar, no corredor da sua casa. Nesse ponto, o livro não diz se Escobar está chegando ou saindo... o fato é que, quando Bentinho entra em casa, junto com Escobar, ele encontra Capitu de pé, muito bem disposta;
* Logo depois Capitu engravida e o narrador frisa. Ela nunca mais engravidou. Ezequiel era filho único do casal.
* Bentinho questiona Capitu o porque de a mãe dele não estar mais lhes visitando, como era de costume, frisa que a mãe não trata Capitu carinhosamente, como antes e que até o menino, ou seja, o neto ela não adula mais, não dá confiança... Capitu diz que é apenas ciúmes de sogra... (aqui da´ a impressão que a mãe de Bentinho sabia de algo entre Capitu e Escobar)
* Ezequiel cresce e vai parecendo cada vez mais com Escobar, inclusive nos gestos, trejeitos, aparência física e caminhado... e se parece muito também com a filha de Escobar (que pode ser sua irmã).
* A esposa de Escobar, em determinado momento, parece desconfiar, e quando este morre, ela não aceita que Capitu (até então, sua melhor amiga) passe a noite com ela, e depois vai embora da cidade...
* Depois da separação, Capitu vai morar no exterior, e o José Dias, o agregado da família de Bentinho, corresponde-se freqüentemente com ela e sempre lhe pede que envie fotos do menino pra família, no Brasil, e ela nunca manda... (parece querer esconder, a qualquer custo, a enorme semelhança entre ezequiel e o finado Escobar)
Ao entrar na sala, dei com um rapaz, de costas (...). Vim cauteloso e não fiz rumor. Não obstante, ouviu-me os passos e voltou-se depressa. Conheceu-me pelos retratos e correu para mim. Não me mexi; era nem mais nem menos o meu antigo e jovem companheiro do seminário de S. José, um pouco mais baixo, menos cheio de corpo e, salvo as cores, que eram vivas, o mesmo rosto do meu amigo. (...) era o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar. (...) A voz era a mesma de Escobar, o sotaque era afrancesado...
* Vc já se fez a seguinte pergunta?:
Como Capitu reage às suspeitas de Bentinho e a decisão deste em terminar com o casamento?
Pois bem, leiam como ocorreu:
- Papai! Papai! exclamava Exequiel. – Não, não, eu não sou seu pai!
Quando levantei a cabeça, dei com a figura de Capitu diante de mim. Eis aí outro lance, que parecerá de teatro e é tão natural como o primeiro, uma vez que a mãe e o filho iam à missa e Capitu não saía sem falar-me. Era já um falar seco e breve; a maior parte das vezes, eu nem olhava para ela. Ela olhava sempre, esperando.
Desta vez, ao dar com ela, não sei se era dos meus olhos, mas Capitu pareceu-me lívida. Seguiu-se um daqueles silêncios, a que, sem mentir, se podem chamar de um século, tal é a extensão do tempo nas grandes crises. Capitu recompôs-se; disse ao filho que se fosse embora e pediu-me que lhe explicasse...
- Não há que explicar, disse eu.
- Há tudo; não entendo as tuas lágrimas nem as de Ezequiel. Que houve entre vocês?
- Não ouviu o que lhe disse?
Capitu respondeu que ouvira choro e rumor de palavras. Eu creio que ouvira tudo claramente, mas confessá-lo seria perder a esperança do silêncio e da reconciliação; por isso negou a audiência e confirmou unicamente a vista. (...) repeti-lhe as palavras...
- O quê? Perguntou ela como se ouvira mal.
- Que não é meu filho.
Grande foi a estupefação de Capitu e não menor a indignação que lhe sucedeu, tão naturais ambas que fariam duvidar as primeiras testemunhas de vista do nosso foro. (...) Após alguns instantes disse-me ela.:
- Só se pode explicar tal injúria pela convicção sincera; entretanto, você que era tão cioso dos menores gestos, nunca revelou a menor sombra de desconfiança. Que é que lhe deu tal idéia? Diga, - continuou vendo que eu não respondia nada, - diga tudo; depois do que ouvi, posso ouvir o resto, não pode ser muito. Que é que lhe deu tal convicção? Ande; Bentinho, fale! Fale! Despeça-me daqui, mas diga tudo primeiro.
- Há coisas que se não dizem..
- Que se não dizem só metade; mas já que disse metade, diga tudo.
Tinha-se sentado numa cadeira ao pé da mesa. Podia estar um tanto confusa, o porte não era de acusada. Pedi-lhe ainda uma vez que não teimasse.
- Não, Bentinho, ou conte o resto, para que eu me defenda, se você acha que tenho defesa, ou peço-lhe desde já a nossa separação: não posso mais!
- A separação é coisa decidida, redargui, pegando-lhe na proposta. Era melhor que a fizéssemos por meias palavras ou em silêncio; cada um iria com a sua ferida. Uma vez, porém, que a senhora insiste, aqui vai o que lhe posso dizer, e é tudo.
Não disse tudo; mal pude aludir aos amores de Escobar sem proferir-lhe o nome. Capitu não pode deixar de rir, de um riso que eu sinto não poder transcrever aqui; depois em um tom juntamente irônico e melancólico;
- Pois até os defuntos! Nem os mortos escapam aos seus ciúmes!
Concertou a capinha e ergueu-se. Suspirou, creio que suspirou, enquanto eu, que não pedia outra coisa mais que a plena justificação dela, disse-lhe não sei que palavras adequadas a este fim. Capitu olhou para mim com desdém e murmurou:
- Sei a razão disto; é a *casualidade da semelhança... A vontade de Deus explicará tudo... Ri-se? É natural; apesar do seminário, não acredita em Deus; eu creio... Mas não falemos nisto; não nos fica bem dizer mais nada.
*Capitu se referindo ao fato de Ezequiel parecer com o finado Escobar (o suposto pai).
Pois bem, não é estranho que ela não tenha negado, ou pelo menos tentando se justificar, ou convencer Bentinho de que ele estaria enganado? Que ela nunca o traíra e tals? Mas ao contrário, ela deu o assunto por encerrado! Neste ponto ela da margem pra o leitor acreditar ainda mais que ela traiu sim...
A personagem Capitu é uma das maiores criações de Machado de Assis. Sua complexidade psicológica é visível mas, ao desvendar sua personalidade, o escritor cria mecanismos sutis que impedem a mesma de aparecer em sua totalidade, envolvendo-a em uma aura de mistério e tendências difusas.
Por fim, confesso que nesta releitura, eu fiquei um pouco em dúvida quanto à traição, porque Bentinho era ciumento ao extremo, e isso pode ter influenciado a narrativa (que é unilateral) do livro, inclusive, ele conta fatos da infância de Capitu, como se preparasse o leitor para olhar este lado meio dark dela...
Mas, as dúvidas que ele tem em relação à fidelidade de Capitu, também são as minhas dúvidas, e, elas pendem mais para a certeza da traição. Conclusão, continuo achando que a Capitu traiu sim.
Vocês sabem como Bentinho identifica Capitu no início do Dom Casmurro de Machado de Assis? Capitu tinha "olhos de ressaca", porque os olhos de Capitu eram como aquela onda cava e profunda que ameaça avançar e tudo tragar, inclusive o narrador da história, o próprio Bentinho. Esses "olhos de ressaca", colocados no início da narrativa, caracterizam a personagem e depois desaparecem. Até que no fim, quando o drama já se desenvolveu e há um suposto adultério entre Capitu e Escobar, o melhor amigo de Bento, Escobar morre. Morre onde? No mar. Quando? Durante uma ressaca. E Machado de Assis retoma o que tinha anunciado no começo do romance, dizendo que, na hora em que o caixão de Escobar se fechou, Bentinho viu Capitu chorando, e os olhos de Capitu eram como a ressaca do mar que tinha tragado Escobar, o nadador da manhã. A mesma ressaca que ameaçou tragar Bentinho no início do livro.
A ressaca do mar é um achado literário de Machado, e isso não é pouco na literatura. Trata-se de uma metáfora que, em última análise, amarra todo o livro, todo o drama das personagens.
(Trecho do texto proferido por Flávio Loureiro Chaves na Casa Mário Quintana em Porto Alegre, por ocasião do lançamento de O Clarão, em 15 de maio de 2001.)
Então deixo a pergunta: Capitu traiu ou não traiu o Bentinho?
Inté...
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Mineira
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